Tenho que perder essa mania de sobreviver a cada amor perdido, pois estou ficando cada vez mais forte.
♫♪ I gotta find myself a way out / To keep me away from touching the ground ♫♪ (About Kings and Queens I - The Sorry Shop)
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Sobre Werther, valores e a felicidade
“Tudo nos falta quando faltamos a nós próprios.” (Werther)
O livro O Sofrimento do Jovem Werther começou me chamando a atenção, primeiramente, pelo formato ao qual foi escrito. Goethe, ao escrever o livro em forma de cartas, conseguiu tornar os relatos do jovem Werther um apelo intimista. Nos sentimos o seu mais fiel amigo, partidários de suas alegrias e sofrimentos.
Cartas é algo interessante. Estamos em tempos onde a comunicação dá-se de forma tão rápida, espontânea e fácil através dos meios instantâneos de comunicação eletrônica. Sendo assim, foi-me motivo de reflexão o papel das cartas na comunicação. Não descarto a importância dos diálogos através dos meios atuais, mas parece que a hiperatividade da modernidade tornou a comunicação algo tão mais superficial.
Talvez as cartas sejam uma forma mais pessoal, profunda e contemplativa de interação entre pessoas.
Mas partamos para o conteúdo do livro... O que eu tenho para falar sobre este livro de Goethe é que o principal núcleo temático, sobre o qual o autor tende a querer fazer-nos refletir a respeito, é de uma pertinência enorme para pensarmos o nosso contexto atual de vida. Quero dizer que a dicotomia entre razão e emoção¹, sempre presente e marcante na sua obra, é, sobretudo, uma discussão sobre a felicidade.
O estilo de vida moderno criou valores frustrantes para a felicidade humana. Os nossos fins, ou seja, os objetivos que determinam nossos projetos de vida, no mundo ocidental e capitalista onde vivemos, tornaram a busca insaciável pelos bens materiais a meta comum dos indivíduos, e por consequência tendemos a pensar que as conquistas desses objetivos trarão, como se fosse um objeto que pode ser carreado, a felicidade.
A felicidade, no meu ponto de vista, não está nas convenções maliciosas que a sociedade ocidental nos instrui a ambicionar desde que nascemos. A razão, no entanto, é importante, tem um fim na sobrevivência humana, não somos tão adaptados instintivamente para sobrevivermos ao meio como os outros animais. Somos animais culturais e racionais, e disso depende nossa sobrevivência, pois através disso transformamos o meio para que nele possamos viver. Mas o problema é que o excesso de racionalidade distorce os valores que realmente contribuiriam para a felicidade humana.
No livro, Werther é um ser humano que não se encontra no mundo racional onde vive, para ele não faz sentido as mesquinharias pelas quais os homens passam a vida inteira lutando, e quando conseguem ainda resta o vazio existencial. Não concorda com a desatenção que a vida materialista gera para os aspectos emocionais e vitais dos indivíduos. Werther sofre, pois é um ser humano deveras sensível e que não consegue tratar com naturalidade o estilo de vida da sociedade onde está inserido. Percebe-se como um homem de valores distintos, mas os quais o deixam numa penosa solidão. Quando encontra uma pessoa, nem que seja minimamente parecida com ele, acha que encontrou tudo. E a paixão que lhe causou Lotte, mas que não pôde consumar, acabou por destruí-lo. E o que mais se esperava, se o significado que ele deu a sua vida não pode ser vivido?
Os nossos objetivos modernos de atingirmos status sociais, padrões de beleza, riquezas e bens de consumo só cria competição, frustração e o vazio entre os seres humanos, e apesar disso ser fruto da racionalidade, é uma atitude, em última análise, das mais irracionais possíveis. Um paradoxo.
A felicidade não é uma receita, não se reduz ao genérico, não é algo uno. Pessoas são felizes de diferentes formas, e correndo o risco de me contradizer, há aqueles que, talvez, atinjam realmente a felicidade através das conquistas acima citadas, mas o que eu quero dizer é que isso não deve ser propaganda de felicidade. Só você é capaz de dizer o que lhe causa o seu bem-estar subjetivo².
O bem-estar subjetivo, então, pode ou não conter o objetivo, mas eu posso afirmar que o objetivo não é o fator determinante. Acho que é, quando muito, um complemento.
É de consenso de muitos pesquisadores da psicologia positiva que os valores mais relacionados com a felicidade pertencem a fatores psicológicos como: “personalidade, otimismo, resiliência, gratidão, presença de altos escores de emoções positivas” (Ferraz et al, 2007).
Está ali na citação: “emoções positivas”. Será que Goethe e seu personagem Werther não estão certos? Será que não devemos dar mais valor aos aspectos emocionais? Será que privilegiarmos o “ser”, invés do “ter”, não seria mais prazeroso para nossas vidas?
Esses são alguns dos questionamentos que o livro me causou, e essas são algumas reflexões que fiz. No início não gostei muito do livro, não por outro motivo senão o de não fazer muito o meu estilo, não curto muito literatura ultra-romântica. Mas depois dessas análises passei a nutrir mais simpatia por ele. Ajudou-me a ter mais claras estas questões. É principalmente por isso que o estimo como um clássico importante, sinceramente acho que vale a pena lê-lo.
Notas:
1. Aliás, essa dicotomia é algo com que Goethe trabalhou toda sua vida. Só a nível de curiosidade, ele foi, junto com seu amigo Schiller, um dos criadores do movimento Sturm und Drang, conhecido no Brasil como Tempestade e Ímpeto. Movimento que, basicamente, pregava na arte a emoção acima da razão.
2. Usei um termo da psicologia positiva.
Referências:
GOETHE. O Sofrimento do Jovem Werther. 2. ed. São Paulo: Martin Claret, 2009. (Coleção a Obra-Prima de Cada Autor, v.51)
FERRAZ, Renata Barboza; TAVARES, Hermano; ZILBERMAN, Monica L.. Felicidade: uma revisão. Rev. psiquiatr. clín., São Paulo, v. 34, n. 5, 2007. Available from
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Sobre tudo e sobre nada I
Bem... Primeiramente atribuo a mim mesmo a categoria de "Escritor de Prontuários". Ok! Traduzindo melhor, sou aquele que quando escreve, é porque algo não vai bem. É... Isso se é que sou algum escritor de todo. Segundo que tenho uma preguiça enorme de escrever, assim como para todas as demais coisas na vida que dão muito trabalho (Ah, Garfield! Como queria ser você!), isso indica que quando venho aqui é porque algo me motivou fortemente. Ou para compartilhar algo do que muito primo e acho bacana, ou para "chorar as mágoas" e afogá-las nas lágrimas (metafóricas, claro, porque não choro de verdade. Macho, não? XD). Alguns diriam para eu beber para afogá-las, mas não sou um cara que bebe pra isso, gosto de beber por estar feliz, a bebida potencializa o que você está sentido no momento; logo, é mais viável escrever, compartilho com Mario Quintana a opinião de que beber por desgosto é uma cretinice.
Escrever, então, torna-se para mim um recurso alternativo, quando há uma necessidade de expressão e não acho alguma forma melhor de catarse.
Mas não sei se funciona no meu caso, acho que vou continuar angustiado e confuso, mas vamos lá.
Ham... Deixe-me ver... Ok! Então "começaremos" falando dos últimos dias. É tanta coisa para lembrar! Eu tenho tido dias realmente vibrantes! De descobertas incríveis no meu curso, de integração (esta não tem nada a ver com a da Noiva do Mar! XD), de diversidade na rotina, de compromissos, muitos compromissos. É um misto grande de diferentes experiências. Acho que nunca estive tão sociável antes, sentindo-me tão enturmado com as pessoas. Tenho muitos conhecidos, pessoas realmente interessantes, e me apego fácil à maioria, na verdade sempre tendi a gostar das pessoas e tentar me aproximar delas, mas em compensação, desapego-me com tal qual rapidez, se não sinto significativa reciprocidade. Essa troca justa acontece menos do que se gostaria. Acho que aqui encontramos um dos meus problemas, eu sempre penso que estou gostando mais das pessoas do que elas de mim. Não sei se é falta de auto-estima ou o quê, mas acho que é um pouco mais complicado que isso. Existem muitas variáveis.
Outro problema (até que esse é divertido): A vida está uma correria frenética! Claro, comparando com meus padrões de água morna e vento manso. Eu gosto mesmo é de apreciar a paisagem, andar a favor do vento, ver morrerem os sóis e nascerem as luas. Mas me sinto pego (não de surpresa) em um ciclone extratropical, um ciclone que eu mesmo chamei com inocentes assovios, como chamando um pequeno cão que vem pulando pro meu colo. É nessa confusão que a vida tem se tornado que me vejo o mais pueril e perdido filho do mundo. Confuso sim, mas corajoso! Corajoso porque escolhi todos os principais rumos que segui, mas ao mesmo tempo inocente, porque à medida que aprendo mais com a vida, vejo que não sabia o quanto estava enganado a respeito do quão contingentes eram os caminhos que estavam por vir.
Outro aspecto de minha vida sobre o qual reflito bastante, também, é a falta que sinto de ser mais categórico ao criar conceitos sobre as pessoas, lugares, disciplinas, filmes, livros, enfim, toda sorte de coisas. Tenho a impressão, a todo instante, de que se evitar relativizar algo, estarei cometendo uma injustiça vergonhosa. Agora mesmo no redigir deste texto, procurei por incoerências e averigüei se não havia sido muito radical em certos pontos, e até existem, mas preferi ignorá-los agora e seguir mais o fluxo de meus pensamentos. Talvez meu superego esteja se fortalecendo tanto, que já começo a apresentar um sintoma indesejável, o autocontrole exacerbado, uma cobrança indevida de mim mesmo (existe um PROCON do eu?).
Aff... São tantas responsabilidades... A faculdade, por exemplo, está uma loucura, adoro Psicologia, de verdade! Mas quando estou disposto! Ultimamente muitas coisas estão um saco. Não gosto de ter datas marcadas na agenda para cumprir tarefas, não estou acostumado. Odeio a metodologia de ensino que conhecemos. Ótimo seria um ensino onde a pessoa fosse a principal construtora do seu conhecimento. Bem... Até é, mas o que eu quero dizer é que: do jeito que o ensino é da a impressão de que nosso cérebro é uma bagagem aberta onde temos que fazer caber tudo que é parafernália, mesmo a menos desejáveis. Mas eu sei. Infelizmente, por uma questão organizacional, temos que ter um sistema metódico de ensino, e temos que conhecer tudo, até o que menos nos parece fazer sentido, ou o que nos causa mais aversão. Chato, né?
Outra coisa! Trabalho! ODEIO o trabalho (pronto, falei!). Para mim qualquer trabalho é forçado, pelo simples fato de você ser forçado a ter um! É um mundo capitalista onde você é obrigado a "ser alguém na vida", ou viverá as margens do mundo, não terá direito a nada! Ou um vagabundo é um cidadão? Só se for daqueles sustentados por alguém, mas nesse caso é diferente, pois existirá um sujeito (que é alguém na vida!) que trabalha por ele e o sustenta. Não vejo sentido nenhum em a pessoa ser obrigada a usar oito horas (ou seja lá quantas!) da sua vida diariamente para cumprir uma função social e ajudar a manter um sistema POR DEMAIS INSUSTENTÁVEL, cruel, injusto e que destruirá o planeta. Esse mesmo SEU planeta que esse sistema te desapossou e te cobra (caro!) para você tê-lo de volta em pequenas medidas (você não paga até pelo espaço onde vive?). Não lhe parece um contra-senso o trabalho, agora? É o seu tempo de vida que você paga para... VIVER! Isso mesmo! O ser humano criou uma entidade cruel, dona do que se chama "propriedade privada". Não faz sentido.
(respira)
Ok! Ainda assim é possível ignorar tudo isso e ser feliz. Não é? All we need is love! Claro, é possível... Mas falta amor. E isso é o que me deixa mais triste. É o que falta nos seres humanos, entre eles mesmos e seu mundo. E é o que falta na minha vida para eu ser feliz, o resto eu suporto.
Escrever, então, torna-se para mim um recurso alternativo, quando há uma necessidade de expressão e não acho alguma forma melhor de catarse.
Mas não sei se funciona no meu caso, acho que vou continuar angustiado e confuso, mas vamos lá.
Ham... Deixe-me ver... Ok! Então "começaremos" falando dos últimos dias. É tanta coisa para lembrar! Eu tenho tido dias realmente vibrantes! De descobertas incríveis no meu curso, de integração (esta não tem nada a ver com a da Noiva do Mar! XD), de diversidade na rotina, de compromissos, muitos compromissos. É um misto grande de diferentes experiências. Acho que nunca estive tão sociável antes, sentindo-me tão enturmado com as pessoas. Tenho muitos conhecidos, pessoas realmente interessantes, e me apego fácil à maioria, na verdade sempre tendi a gostar das pessoas e tentar me aproximar delas, mas em compensação, desapego-me com tal qual rapidez, se não sinto significativa reciprocidade. Essa troca justa acontece menos do que se gostaria. Acho que aqui encontramos um dos meus problemas, eu sempre penso que estou gostando mais das pessoas do que elas de mim. Não sei se é falta de auto-estima ou o quê, mas acho que é um pouco mais complicado que isso. Existem muitas variáveis.
Outro problema (até que esse é divertido): A vida está uma correria frenética! Claro, comparando com meus padrões de água morna e vento manso. Eu gosto mesmo é de apreciar a paisagem, andar a favor do vento, ver morrerem os sóis e nascerem as luas. Mas me sinto pego (não de surpresa) em um ciclone extratropical, um ciclone que eu mesmo chamei com inocentes assovios, como chamando um pequeno cão que vem pulando pro meu colo. É nessa confusão que a vida tem se tornado que me vejo o mais pueril e perdido filho do mundo. Confuso sim, mas corajoso! Corajoso porque escolhi todos os principais rumos que segui, mas ao mesmo tempo inocente, porque à medida que aprendo mais com a vida, vejo que não sabia o quanto estava enganado a respeito do quão contingentes eram os caminhos que estavam por vir.
Outro aspecto de minha vida sobre o qual reflito bastante, também, é a falta que sinto de ser mais categórico ao criar conceitos sobre as pessoas, lugares, disciplinas, filmes, livros, enfim, toda sorte de coisas. Tenho a impressão, a todo instante, de que se evitar relativizar algo, estarei cometendo uma injustiça vergonhosa. Agora mesmo no redigir deste texto, procurei por incoerências e averigüei se não havia sido muito radical em certos pontos, e até existem, mas preferi ignorá-los agora e seguir mais o fluxo de meus pensamentos. Talvez meu superego esteja se fortalecendo tanto, que já começo a apresentar um sintoma indesejável, o autocontrole exacerbado, uma cobrança indevida de mim mesmo (existe um PROCON do eu?).
Aff... São tantas responsabilidades... A faculdade, por exemplo, está uma loucura, adoro Psicologia, de verdade! Mas quando estou disposto! Ultimamente muitas coisas estão um saco. Não gosto de ter datas marcadas na agenda para cumprir tarefas, não estou acostumado. Odeio a metodologia de ensino que conhecemos. Ótimo seria um ensino onde a pessoa fosse a principal construtora do seu conhecimento. Bem... Até é, mas o que eu quero dizer é que: do jeito que o ensino é da a impressão de que nosso cérebro é uma bagagem aberta onde temos que fazer caber tudo que é parafernália, mesmo a menos desejáveis. Mas eu sei. Infelizmente, por uma questão organizacional, temos que ter um sistema metódico de ensino, e temos que conhecer tudo, até o que menos nos parece fazer sentido, ou o que nos causa mais aversão. Chato, né?
Outra coisa! Trabalho! ODEIO o trabalho (pronto, falei!). Para mim qualquer trabalho é forçado, pelo simples fato de você ser forçado a ter um! É um mundo capitalista onde você é obrigado a "ser alguém na vida", ou viverá as margens do mundo, não terá direito a nada! Ou um vagabundo é um cidadão? Só se for daqueles sustentados por alguém, mas nesse caso é diferente, pois existirá um sujeito (que é alguém na vida!) que trabalha por ele e o sustenta. Não vejo sentido nenhum em a pessoa ser obrigada a usar oito horas (ou seja lá quantas!) da sua vida diariamente para cumprir uma função social e ajudar a manter um sistema POR DEMAIS INSUSTENTÁVEL, cruel, injusto e que destruirá o planeta. Esse mesmo SEU planeta que esse sistema te desapossou e te cobra (caro!) para você tê-lo de volta em pequenas medidas (você não paga até pelo espaço onde vive?). Não lhe parece um contra-senso o trabalho, agora? É o seu tempo de vida que você paga para... VIVER! Isso mesmo! O ser humano criou uma entidade cruel, dona do que se chama "propriedade privada". Não faz sentido.
(respira)
Ok! Ainda assim é possível ignorar tudo isso e ser feliz. Não é? All we need is love! Claro, é possível... Mas falta amor. E isso é o que me deixa mais triste. É o que falta nos seres humanos, entre eles mesmos e seu mundo. E é o que falta na minha vida para eu ser feliz, o resto eu suporto.
P.S: É, até que escrever funciona um pouco...
domingo, 12 de setembro de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
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