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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Amar e escrever




Não necessariamente nessa ordem. Aliás, ordem pra quê? De qualquer forma, deixemos essas confabulações para depois, certo? Agora que siga o texto em outro ponto, sendo que já estamos pondo a ordem em questão aqui, mesmo...

Bem... Quero ser escritor um dia. Um desses escritores praticantes, que se designam assim quando lhe perguntam “o que você faz?”. Um dia também quero poder responder “eu escrevo”. Uma criança de primeira série bem poderia dizer o mesmo, é verdade, mas não com o sentido que quero dar a essa resposta: “Eu escrevo”. Ou quem sabe sim? Talvez ser escritor seja, em certo sentido, o mesmo que voltar a ter 5 anos e estar na primeira série; afinal, quem mais se orgulha tanto de saber escrever além destas duas classes de pessoas; uma quando recém começou a aprender e a outra que está constantemente recém aprendendo?

Quero exercer meu suspeitoso talento criativo e meu duvidoso talento literário. Tenho estado cada vez mais inclinado a pôr a prova estas potencias qualificações. É aí que entra uma inquietante questão: estou pronto para começar?

Penso que me falta algo essencial. Experiência? Sim, sim. Às vezes me considero ainda muito cabeça de melão para escrever um livro. Acho que ainda não vivi o suficiente para conseguir criar algo interessante; sabe... Com sustância! Porém, como sou um cara confuso e preguiçoso por excelência, eventualmente me vem a indagação se isso não seria só uma desculpa comodista; ora, impossível não conseguir escrever algo interessante com a bagagem de experiências que disponho até o momento.

Acontece que desculpas, meu caro, tem sua função e fundamento. Nunca são SÓ desculpas. Falta sim algo que primo como elemento essencial, no meu caso. E, sem suspenses, esse algo é simplesmente amor. Mas não limite o amor que falo aqui ao romance. Expanda o significado ao máximo, pois o amor não emana só entre os casais, o amor que falo aqui é o amor que permeia a vida dos homens em seus mais gloriosos atos.

Pois bem... Não posso dizer que nunca experimentei, sabe... o tal do amor. O que posso dizer é que não estou satisfeito. Ás vezes a vida proporciona degustações aqui e ali, o cheirinho de um assado de amor acolá, desses que, antes que você desfrute, ele torra por descuido de alguém; mas nunca realmente um prato cheio, uma quentinha depois da labuta, muito menos um banquete de Platão — Platão podia se chamar Pratão, mas seria um trocadilho besta —; enfim, nunca nada de empanturrar os mais esfomeados. Degustações são muito limitadas, porque a experiência da degustação não representa a experiência plena do consumo. Como assim? — Você poderia perguntar — Ora, um vinho que você degusta no supermercado, que você prova sabendo que está de passagem, servido naqueles copinhos de plástico — já começa por aí! — por exemplo, não está na garrafa que você deixa na adega até o momento certo de abrir, escolhido com capricho; você provavelmente não vai dividi-lo com a pessoa que você gostaria naquele momento; você não estará cercado do ambiente ao qual você estaria desfrutando o tão aprazível cabernet; ou seja, você não degusta apenas o objeto, você degusta o momento, a companhia — nem que seja a sua somente — e toda a atmosfera que o envolve. Degustações são limitadas por isso: o sabor dos alimentos transcende o sentido palatal. E como o amor é um alimento para a alma, degustações não são suficientes — talvez sequer seja amor, at all —.

Eu quero experimentar todos os amores na minha sala de estar, ficar empanturrado de todos os tipos e sabores: amor pela família, amor pelos amigos, amor pelo meu amor, amor próprio, amor pela vida e, nesse caso em especial, amor pela literatura. Quero temperar todos com tudo o que tenho de melhor. Talvez assim, saciado, eu consiga produzir um delicioso livro que alimentará outras almas.

Agora é oportuno retomarmos a questão da ordem. Com relação a isso, após refletir bastante, estou mais inclinado a pensar que só serve para atrapalhar, mesmo. Pra quê esperar tanto, não é? Li uma frase na internet esses dias que dizia o seguinte: “If you wait for perfect conditions, you will never get anything done”. Parece que é um trecho da bíblia; enfim, é um pensamento interessante. Talvez condições perfeitas nem sequer existam, sendo assim, provavelmente, esperaria para sempre o amor em toda sua virtude, e nunca teria realmente escrito um livro. E, pasme ou não, acredito que essa condição idealizada de vida surtiria justamente o efeito contrário: acho que com a vida tão plena, aí mesmo que não escreveria nada! Bem que soa como contradição, não é? Bem... Prefiro entender o que digo aqui mais como a evolução de um raciocínio, o qual em algum momento surtado sofreu um plot twist.

O que se tira de tudo isso, então? Cheguei a algumas conclusões. Primeira: Paradoxalmente, talvez, as condições ideais para realizar algo — dentro de uma dimensão concebível, claro — surjam justamente após você já ter posto em prática o ato almejado, essa é uma estranha ironia do processo criativo — inclusive, percebi isso recentemente no relato de criação de autores já consagrados como Alan Moore e David Lloyd —; segunda: É desinteressante, no final das contas, ter todas as condições atendidas, pois a insatisfação é uma das mais fortes e belas forças motrizes de um bom autor; e ultima: É melhor não esperar condições perfeitas com a ilusão de que somente aí amará o resultado daquilo que fez, pois o mais importante é amar o próprio ato de fazê-lo.

Com tudo isso em mente, é... Acho que seria bom começar a escrever!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sobre Werther, valores e a felicidade


“Tudo nos falta quando faltamos a nós próprios.” (Werther)

O livro O Sofrimento do Jovem Werther começou me chamando a atenção, primeiramente, pelo formato ao qual foi escrito. Goethe, ao escrever o livro em forma de cartas, conseguiu tornar os relatos do jovem Werther um apelo intimista. Nos sentimos o seu mais fiel amigo, partidários de suas alegrias e sofrimentos.

Cartas é algo interessante. Estamos em tempos onde a comunicação dá-se de forma tão rápida, espontânea e fácil através dos meios instantâneos de comunicação eletrônica. Sendo assim, foi-me motivo de reflexão o papel das cartas na comunicação. Não descarto a importância dos diálogos através dos meios atuais, mas parece que a hiperatividade da modernidade tornou a comunicação algo tão mais superficial.

Talvez as cartas sejam uma forma mais pessoal, profunda e contemplativa de interação entre pessoas.

Mas partamos para o conteúdo do livro... O que eu tenho para falar sobre este livro de Goethe é que o principal núcleo temático, sobre o qual o autor tende a querer fazer-nos refletir a respeito, é de uma pertinência enorme para pensarmos o nosso contexto atual de vida. Quero dizer que a dicotomia entre razão e emoção¹, sempre presente e marcante na sua obra, é, sobretudo, uma discussão sobre a felicidade.

O estilo de vida moderno criou valores frustrantes para a felicidade humana. Os nossos fins, ou seja, os objetivos que determinam nossos projetos de vida, no mundo ocidental e capitalista onde vivemos, tornaram a busca insaciável pelos bens materiais a meta comum dos indivíduos, e por consequência tendemos a pensar que as conquistas desses objetivos trarão, como se fosse um objeto que pode ser carreado, a felicidade.

A felicidade, no meu ponto de vista, não está nas convenções maliciosas que a sociedade ocidental nos instrui a ambicionar desde que nascemos. A razão, no entanto, é importante, tem um fim na sobrevivência humana, não somos tão adaptados instintivamente para sobrevivermos ao meio como os outros animais. Somos animais culturais e racionais, e disso depende nossa sobrevivência, pois através disso transformamos o meio para que nele possamos viver. Mas o problema é que o excesso de racionalidade distorce os valores que realmente contribuiriam para a felicidade humana.

No livro, Werther é um ser humano que não se encontra no mundo racional onde vive, para ele não faz sentido as mesquinharias pelas quais os homens passam a vida inteira lutando, e quando conseguem ainda resta o vazio existencial. Não concorda com a desatenção que a vida materialista gera para os aspectos emocionais e vitais dos indivíduos. Werther sofre, pois é um ser humano deveras sensível e que não consegue tratar com naturalidade o estilo de vida da sociedade onde está inserido. Percebe-se como um homem de valores distintos, mas os quais o deixam numa penosa solidão. Quando encontra uma pessoa, nem que seja minimamente parecida com ele, acha que encontrou tudo. E a paixão que lhe causou Lotte, mas que não pôde consumar, acabou por destruí-lo. E o que mais se esperava, se o significado que ele deu a sua vida não pode ser vivido?

Os nossos objetivos modernos de atingirmos status sociais, padrões de beleza, riquezas e bens de consumo só cria competição, frustração e o vazio entre os seres humanos, e apesar disso ser fruto da racionalidade, é uma atitude, em última análise, das mais irracionais possíveis. Um paradoxo.

A felicidade não é uma receita, não se reduz ao genérico, não é algo uno. Pessoas são felizes de diferentes formas, e correndo o risco de me contradizer, há aqueles que, talvez, atinjam realmente a felicidade através das conquistas acima citadas, mas o que eu quero dizer é que isso não deve ser propaganda de felicidade. Só você é capaz de dizer o que lhe causa o seu bem-estar subjetivo².

O bem-estar subjetivo, então, pode ou não conter o objetivo, mas eu posso afirmar que o objetivo não é o fator determinante. Acho que é, quando muito, um complemento.

É de consenso de muitos pesquisadores da psicologia positiva que os valores mais relacionados com a felicidade pertencem a fatores psicológicos como: “personalidade, otimismo, resiliência, gratidão, presença de altos escores de emoções positivas” (Ferraz et al, 2007).

Está ali na citação: “emoções positivas”. Será que Goethe e seu personagem Werther não estão certos? Será que não devemos dar mais valor aos aspectos emocionais? Será que privilegiarmos o “ser”, invés do “ter”, não seria mais prazeroso para nossas vidas?

Esses são alguns dos questionamentos que o livro me causou, e essas são algumas reflexões que fiz. No início não gostei muito do livro, não por outro motivo senão o de não fazer muito o meu estilo, não curto muito literatura ultra-romântica. Mas depois dessas análises passei a nutrir mais simpatia por ele. Ajudou-me a ter mais claras estas questões. É principalmente por isso que o estimo como um clássico importante, sinceramente acho que vale a pena lê-lo.

Notas:

1.    Aliás, essa dicotomia é algo com que Goethe trabalhou toda sua vida. Só a nível de curiosidade, ele foi, junto com seu amigo Schiller, um dos criadores do movimento Sturm und Drang, conhecido no Brasil como Tempestade e Ímpeto. Movimento que, basicamente, pregava na arte a emoção acima da razão.
2.    Usei um termo da psicologia positiva.

Referências:

GOETHE. O Sofrimento do Jovem Werther. 2. ed. São Paulo: Martin Claret, 2009. (Coleção a Obra-Prima de Cada Autor, v.51)

FERRAZ, Renata Barboza; TAVARES, Hermano; ZILBERMAN, Monica L.. Felicidade: uma revisão. Rev. psiquiatr. clín.,  São Paulo,  v. 34,  n. 5,   2007.   Available from .access on 12 Oct.2010.doi: 10.1590/S0101-60832007000500005.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Sobre tudo e sobre nada I

Bem... Primeiramente atribuo a mim mesmo a categoria de "Escritor de Prontuários". Ok! Traduzindo melhor, sou aquele que quando escreve, é porque algo não vai bem. É... Isso se é que sou algum escritor de todo. Segundo que tenho uma preguiça enorme de escrever, assim como para todas as demais coisas na vida que dão muito trabalho (Ah, Garfield! Como queria ser você!), isso indica que quando venho aqui é porque algo me motivou fortemente. Ou para compartilhar algo do que muito primo e acho bacana, ou para "chorar as mágoas" e afogá-las nas lágrimas (metafóricas, claro, porque não choro de verdade. Macho, não? XD). Alguns diriam para eu beber para afogá-las, mas não sou um cara que bebe pra isso, gosto de beber por estar feliz, a bebida potencializa o que você está sentido no momento; logo, é mais viável escrever, compartilho com Mario Quintana a opinião de que beber por desgosto é uma cretinice.

Escrever, então, torna-se para mim um recurso alternativo, quando há uma necessidade de expressão e  não acho alguma forma melhor de catarse.


Mas não sei se funciona no meu caso, acho que vou continuar angustiado e confuso, mas vamos lá.

Ham... Deixe-me ver... Ok! Então "começaremos" falando dos últimos dias. É tanta coisa para lembrar! Eu tenho tido dias realmente vibrantes! De descobertas incríveis no meu curso, de integração (esta não tem nada a ver com a da Noiva do Mar! XD), de diversidade na rotina, de compromissos, muitos compromissos. É um misto grande de diferentes experiências. Acho que nunca estive tão sociável antes, sentindo-me tão enturmado com as pessoas. Tenho muitos conhecidos, pessoas realmente interessantes, e me apego fácil à maioria, na verdade sempre tendi a gostar das pessoas e tentar me aproximar delas, mas em compensação, desapego-me com tal qual rapidez, se não sinto significativa reciprocidade. Essa troca justa acontece menos do que se gostaria. Acho que aqui encontramos um dos meus problemas, eu sempre penso que estou gostando mais das pessoas do que elas de mim. Não sei se é falta de auto-estima ou o quê, mas acho que é um pouco mais complicado que isso. Existem muitas variáveis.

Outro problema (até que esse é divertido): A vida está uma correria frenética! Claro, comparando com meus padrões de água morna e vento manso. Eu gosto mesmo é de apreciar a paisagem, andar a favor do vento, ver morrerem os sóis e nascerem as luas. Mas me sinto pego (não de surpresa) em um ciclone extratropical, um ciclone que eu mesmo chamei com inocentes assovios, como chamando um pequeno cão que vem pulando pro meu colo. É nessa confusão que a vida tem se tornado que me vejo o mais pueril e perdido filho do mundo. Confuso sim, mas corajoso! Corajoso porque escolhi todos os principais rumos que segui, mas ao mesmo tempo inocente, porque à medida que aprendo mais com a vida, vejo que não sabia o quanto estava enganado a respeito do quão contingentes eram os caminhos que estavam por vir.
Outro aspecto de minha vida sobre o qual reflito bastante, também, é a falta que sinto de ser mais categórico ao criar conceitos sobre as pessoas, lugares, disciplinas, filmes, livros, enfim, toda sorte de coisas. Tenho a impressão, a todo instante, de que se evitar relativizar algo, estarei cometendo uma injustiça vergonhosa. Agora mesmo no redigir deste texto, procurei por incoerências e averigüei se não havia sido muito radical em certos pontos, e até existem, mas preferi ignorá-los agora e seguir mais o fluxo de meus pensamentos. Talvez meu superego esteja se fortalecendo tanto, que já começo a apresentar um sintoma indesejável, o autocontrole exacerbado, uma cobrança indevida de mim mesmo (existe um PROCON do eu?).

Aff... São tantas responsabilidades... A faculdade, por exemplo, está uma loucura, adoro Psicologia, de verdade! Mas quando estou disposto! Ultimamente muitas coisas estão um saco. Não gosto de ter datas marcadas na agenda para cumprir tarefas, não estou acostumado. Odeio a metodologia de ensino que conhecemos. Ótimo seria um ensino onde a pessoa fosse a principal construtora do seu conhecimento.  Bem... Até é, mas o que eu quero dizer é que: do jeito que o ensino é da a impressão de que nosso cérebro é uma bagagem aberta onde temos que fazer caber tudo que é parafernália, mesmo a menos desejáveis. Mas eu sei. Infelizmente, por uma questão organizacional, temos que ter um sistema metódico de ensino, e temos que conhecer tudo, até o que menos nos parece fazer sentido, ou o que nos causa mais aversão. Chato, né?

Outra coisa! Trabalho! ODEIO o trabalho (pronto, falei!). Para mim qualquer trabalho é forçado, pelo simples fato de você ser forçado a ter um! É um mundo capitalista onde você é obrigado a "ser alguém na vida", ou viverá as margens do mundo, não terá direito a nada! Ou um vagabundo é um cidadão? Só se for daqueles sustentados por alguém, mas nesse caso é diferente, pois existirá um sujeito (que é alguém na vida!) que trabalha por ele e o sustenta. Não vejo sentido nenhum em a pessoa ser obrigada a usar oito horas (ou seja lá quantas!) da sua vida diariamente para cumprir uma função social e ajudar a manter um sistema POR DEMAIS INSUSTENTÁVEL, cruel, injusto e que destruirá o planeta. Esse mesmo SEU planeta que esse sistema te desapossou e te cobra (caro!) para você tê-lo de volta em pequenas medidas (você não paga até pelo espaço onde vive?). Não lhe parece um contra-senso o trabalho, agora? É o seu tempo de vida que você paga para... VIVER! Isso mesmo! O ser humano criou uma entidade cruel, dona do que se chama "propriedade privada". Não faz sentido.

(respira)

Ok! Ainda assim é possível ignorar tudo isso e ser feliz. Não é? All we need is love! Claro, é possível... Mas falta amor. E isso é o que me deixa mais triste. É o que falta nos seres humanos, entre eles mesmos e seu mundo. E é o que falta na minha vida para eu ser feliz, o resto eu suporto.

P.S: É, até que escrever funciona um pouco...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Eu não sei o que escrever


Eu não sei o que escrever, só sei que estou precisando. Tenho muito a dizer, e de tanto, surge aquela preguiça diretamente proporcional. Assim como muitas coisas, tipo: quando se tem muitos estudos para fazer ou trabalho acumulado, a preguiça se torna algo diretamente proporcional, e a desculpa de não saber por onde começar é a preferida, apesar de qualquer outra servir.
Mas dias atrás pensava o contrário: “Porra! Faz tempo que não escrevo coisas minhas no blog! Acho que não tenho nada para dizer...”. Tenho. Sempre temos, mas às vezes não queremos. Minha vontade era avaliar minha vida estando fora de mim mesmo.

- Olha ali o Carlos! Vejamos... Hoje ele parece [feliz / triste / ansioso / bem humorado...], mas nem penteou o cabelo, será que está com a auto-estima baixa? Ou avesso à sociedade? Ou ainda, está com a auto-estima tão alta que nem liga para o que os outros pensariam de seus embaraçados fios negros.

Esse Carlos de fora teria muitas dúvidas também, mas existe uma diferença crucial na avaliação dele: Ele poderia dar um veredictum e se contentar com ele, aceitando-o e o respeitando até o último dia de sua vida. Afinal temos excelência em formular resposta para a vida de terceiros, isentos de responsabilidades que somos, e no fim, se nos enganássemos (o que acontece muito), seria só mudar de opinião e ficaria tudo numa boa. Simples como não poderia ser. E no caso de simpatizarmos com a figura, melhor ainda! Não temos nem dúvidas, seria como assistir a partida de seu time favorito e saber exatamente para quem o meia deveria tocar a bola, como bater aquela falta perigosa, perto do gol adversário, e ainda mais, o que o juiz e o bandeirinha deveriam julgar do lance duvidoso: “Juiz filho da puta! Foi pênalti, foi pênalti! Cacete!”, “Porra caralho! Foi na bola! Vai dar cartão pra tu mãe, viado!”, “Foi escanteio! Tiro de meta o caralho! Tiro de meta é atirar na tua mãe, oh arrombado!”. E por aí vai... (Sim, a copa do mundo talvez tenha me inspirado um pouco). Mas avaliar sua vida estando nela é como ser o atacante que vai cobrar o pênalti da decisão: calafrios, nervosismo, pressão, taquicardia, medo de errar, “pra que lado chutar?”, 200 Aves Marias por segundo (100 se for um bom ateu).
O que resta é dizer o que sente. Pra quem? Para um blog, quando os amigos faltam e você não consegue confiar mais em ninguém, ou talvez em si mesmo. Aqueles xingamentos atrás dizem alguma coisa, mas ainda não sei o que escrever.



terça-feira, 12 de maio de 2009

Ausência


Eu fico impressionado como sou um cara caótico. Parece que do nada me veio um ímpeto de criar este blog, e isso não faz muito tempo, diga-se. Agora ele está parado há quantos dias? É fácil descobrir, mas estou com preguiça de abrir outra janela e ver a data de meu último post. Sei que, para estagnar, repentinamente, quando se estava empolgado, é bastante tempo. O que me impressiona mais, é que vinha postando coisas com freqüência, entusiasmado com essa nova experiência, aí passa um belo dia, quem sabe dois, e, do nada, esqueço quase completamente do blog. Por quê? Em dois segundos tenho muitas respostas possíveis:

1. Falta de leitores

Verdade, mas era esperado, desde o início augurei isso (vide primeiro post). As pessoas podem não ter gostado, mas também considera-se que as pessoas são multitarefadas, conseqüentemente, não têm tempo para perder com um blog que não seja excelentíssimo, almost the best ever. Sim, entendo perfeitamente, muitas coisas que adoro na web, sites que amo que falam de coisas que me interessam, eu negligencio visitas, fala sério! A web é um universo onde todos possuem, praticamente, teletransporte para se moverem, podem livremente ir de lá para cá e assim sem permanecerem em lugar algum. É assim que a web é, um potencial tudo de um nada, ou vice-versa. Já se perguntou quantas coisas você aproveita, de fato, da internet?

2. Preguiça

O primeiro motivo é uma verdade, mas não toda ela... Eu tenho preguiça de postar também, é algo que dá trabalho: pensar em um assunto, porque nem sempre tenho algo espontâneo a relatar, minha vida é monótona (¬¬'); pensar em como postar, se você escreve, escreve esperando que alguém o leia, nem que seja você mesmo, na maioria dos casos, quero que os outros, além de mim, leiam o que escrevo, isso exige contextualização, arte, várias competências textuais, isso é um considerável trabalho intelectual.

3. Será que estava feliz? O.o

Sendo sincero, digo a você, meu caro, raro e importantíssimo solitário leitor (transforme tudo para o gênero feminino, se for mulher, ou, quem sabe, se sinta mais à vontade), que a melancolia é, para mim, um importante fator de estímulo. Quando estou feliz, sei lá, estou simplesmente feliz e não tenho pretensão de expor nada, só de aproveitar a felicidade passageira, sem preocupação com o mundo ou de deixar algo nele. Essa parte, que estou falando, é muito delicada, pois não tenho certeza se esse é um motivo válido, olhe o título, é uma pergunta, certo? Isso significa que se estava feliz, não sabia. Será que sempre somos felizes e não sabemos? (Ô.õ)
Bom... A verdade é que a melancolia me traz um lirismo, e assim quando o é, ofereço odes a Dionísio!

4. Revolta?

Nem Freud explica. Como posso confundir dois sentimentos tão distintos? Ou estava feliz ou estava revoltado. Ou não? Será que pode ser os dois? Pode ser que em algumas fases da ausência estava realmente me divertindo, bem provável, pois tive momentos bons; por outro lado, estava revoltado com algumas coisas por aí, como por exemplo, pessoas! Às vezes elas conseguem me deixar irritado com algumas atitudes, não me sinto a vontade com elas, acho que nunca me senti na vida, tento, disfarço, mas pessoas me são difíceis demais...
Por Zeus! Revolta. Isso prejudica, caso não seja tratada pode gerar danos e deixar máculas. Algumas vezes, ela manda você dizer "FODA-SE!" bem alto para tudo, por educação não iria exclamar isso no blog.

Enfim...

São motivos, e dentro deles vi vários potenciais posts onde poderia tratar cada aspecto com mais profundidade. Farei? Possivelmente. Será perda de tempo? Você decide.

Ah!
Eu falei que era caótico.

domingo, 5 de abril de 2009

Pale Blue Dot



Carl Edward Sagan. Esse é um nome a se conhecer, brilhante astrônomo e um dos maiores, senão o maior, divulgador da ciência que o mundo já viu. Ele é o autor dessa e de muitas outras obras premiadas.
O livro Pale Blue Dot (Pálido Ponto Azul) foi inspirado por Carl Sagan quando a sonda Voyager 1 retirou fotografias da terra a mais de 6.000.000.000 de kilômetros do nosso planeta, onde todos nós, nossos parentes, amigos, amores, e tudo mais que conhecemos se encontrava em um pálido ponto azul no meio da imensidão negra.
Muitos podem ver esse vídeo ou ler o livro e se sentirem vazios, pequenos demais, impotentes, insignificantes, o que, relativamente, podemos ser, mas eu tive outra sensação. Ver aquele diminuto ponto azul, ver as trevas que nos cercam, ver ali aquele frágil, solitário e distante pontinho carente, me trouxe um sentimento de preciosidade, um sentimento de carinho e compaixão, algo que mal sei como explicar, mas que me traz uma certeza: Aquele pálido ponto azul é algo que temos que preservar.
Estamos aqui, o planeta terra é nossa casa, que compartilhamos com outros seres, e é tudo que temos. Não fico triste, pelo contrário, mais do que nunca sei que somos algo único, mesmo nessa “insignificância” nós significamos, pensamos, criamos, vivemos, ou seja, re-significamos... E o que mais? Aquela coisa que, de certo, é a mais distintiva para nossa raça, aquilo que nos move e nos estimula a prosperar. Aquela coisa chamada Imaginação.
Imaginando criamos mundos muito maiores, somos capazes de transcender qualquer limite. Carl Sagan sabia disso, ninguém se projeta para fora da terra, como ele fazia, sem imaginar o que há lá fora. Todos nós imaginamos e isso faz com que sejamos livres para voar e descobrir novos limites, a querer encontrar o algo mais, a questionarmos nossa existência. Afinal, qual é o significado da vida?
Então somos um pálido ponto azul, sim! Nisso, devemos tirar uma lição de humildade para sabermos que estamos todos no mesmo barco, para nos harmonizarmos e preservarmos nosso planeta e a nós mesmos.