quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Está decidido: Deus é um super computador





Estou satisfeito em anunciar que resolvi por todos nós, de uma vez por todas, a questão de Deus: Deus é um super computador, com CERTEZA ABSOLUTA. Sim, 100% certo, 0 dúvidas.

Foi uma epifania que tive na hora de esquentar a comida pro almoço. Estava eu requentando o frango de ontem que estava na geladeira, apesar de saber o risco enorme que corria, porque tinha lido aqui, no dia anterior, que é um baita perigo requentar algumas comidas, e galinha é uma delas; pois é... Nesse trapézio alimentar em que minha pessoa se aventurava — agora sei que foi o Super Computador (já podemos começar a chamá-lo assim) que não deixaria acontecer nada comigo, se fosse só dessa vez... — que as ideias fluíram de uma forma lokaça. Foi graças às minhas FURGs mentais que, no epiteto da genialidade, saçariquei com a verdade absoluta. Tentarei agora, da forma como me for possível, memorar e descrever minha desbravadora descoberta nessa mata inexplorada — Asimov nunca existiu, mas isso explico outro dia —, que meu pensamento (original!) percorreu até finalmente descoisificar as coisas. Para todos, Deus, agora, estará para sempre, definitivamente, incontestavelmente, desnudado.

...

Bah, pior que fiquei aqui um tempão procurando um jeito de explicar, mas é muito complexo. É difícil refazer o caminho epifânico que tive em palavras. Até pensei em resgatar a mesma viagem emulando as mesmas condições nas quais tive o grande momento de genialidade fugaz, talvez assim eu fechasse a gestalt, obtendo uma espécie de déjà vu auto-induzido. Mas pow, acho que não... Arriscar-me com frango requentado, de novo... E nessas condições de observação... Sei não, pode ser um erro fatal, sabe... Nas inúmeras probabilidades quânticas geradas pelo Super Computador, estará o caminho em que o frango requentado me mata; e se eu, sem querer, acabar observando logo esse caminho? Já era, seria um jeito bem idiota de morrer. Pois é, é assim que funciona, então preste atenção no que vai ficar observando por aí; o Super Computador é parcialmente neutro, ele apenas processa as variáveis, mas existe em nós uma proto-IA que nos permite manipulá-las um pouquinho.

Mas acreditem que deus é um Super Computador. Eu estou dizendo a vocês com toda a certeza ele é.

Paz.

P.S: Para você tem fetiche por credenciais, posto aqui um pessoalzinho aí que estão indo na mesma direção que eu (mas depois de mim!): http://www.bbc.com/earth/story/20160901-we-might-live-in-a-computer-program-but-it-may-not-matter

Eu não li a matéria, mas parece ser muito boa...


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Os Cacos do Homem



Não sou um exemplo de sofredor, longe disso. Todavia, já vivi coisas e suportei coisas. Mas hoje, bem abrigado na minha zona de conforto, distante no tempo — e em alguns casos, no espaço — não entendo muito bem como suportei algumas coisas pelas quais passei. Agora, em segurança, parecem, de certa forma, coisas assustadoras, inaceitáveis ou insuportáveis. Parece que as situações pelas quais passei invés de me deixarem mais forte, me deixaram mais fraco, porque penso que seria desesperador passar por tudo aquilo de novo e que, no mínimo, reagiria de uma forma totalmente diferente, da qual me orgulharia menos. E olha que nem são “fins de mundo”, na verdade — embora agora pareçam —. É muito curioso como o ser humano se adapta as mudanças, ativando novos modos de funcionar, às vezes muito mais fortes. Porém, este texto não é um elogio às capacidades de superação humana, tampouco um desabafo sobre a minha vidinha. Não. Este texto é uma crítica ao fato de termos, o tempo todo, de superar aquelas coisas que já poderiam — há muito! — terem sido humanamente superadas.

De modo bem geral, a humanidade é (está) imbecil, somos (estamos) dignos de desprezo, essa é a verdade — ainda guardo uma reserva de esperança, o que me obrigou a pôr os parênteses desta frase —. Mas... Certas características do homem são respeitáveis. Este bicho se adapta como nenhum outro, o que me leva a pensar que talvez seja justamente esta a dádiva humana. Uma dádiva amaldiçoada, talvez: a maldição é que o homem não usa sua capacidade com sabedoria, perpetuando muitos dos nossos problemas; quando, não raro, criando novos.

O que faz o homem idiota quando um copo cai e quebra? Adapta-se porcamente — sem ofensa aos porcos —: limpa tudo e compra outro copo. E, o mais emblemático, não questiona o porquê dos copos terem que quebrar sempre.

O que faz o homem inteligente quando um copo cai e quebra? Adapta-se like a boss: primeiro de tudo pergunta o porquê dos copos terem que quebrar sempre que caem no chão — Já se perguntou isso alguma vez? — Depois, o homem descobre os motivos, por exemplo: existem leis da física que determinam o fenômeno da quebra do copo. Mas não só isso, o homem inteligente descobre que derrubar copos por acidente é uma coisa que dificilmente o homem conseguirá evitar que aconteça uma vez e outra, pois não temos uma coordenação motora perfeita ou reflexos super-heroicos para estarmos seguros de que os copos nunca cairão no chão no que depender de nós. O homem inteligente também irá considerar que o conteúdo que preenche os copos, às vezes, colaboram para suas vidas úteis acabem em mil pedacinhos. E o homem inteligente chegará a muitas outras conclusões. Então entendendo as circunstâncias, ele avaliará quais serão as possíveis soluções para que os copos não quebrem mais.

Homem inteligente nº1: — Tem como controlarmos a gravidade para que os copos não caiam mais?
Homem inteligente nº2: — Por enquanto não temos não, senhor.
Homem inteligente nº1: — Temos como deixar o chão macio para que não quebre o copo, meu jovem?
(Jovem) homem inteligente nº2: — Tem senhor, mas atrapalharia para nos locomovermos nesse solo fofinho, senhor. E seria meio caro e trabalhoso demais, portanto não seria uma solução prática, senhor. Melhor recolher os cacos e comprar outro copo, demandaria menos recursos.
Homem inteligente nº1: Temos como melhorar cabalmente nossas destrezas para que nunca mais deixemos os copos quebrarem, honorável parceiro?
(Honorável jovem parceiro) homem inteligente nº2: Dificilmente, senhor. Além do mais, nem sempre os copos caem por culpa do homem, senhor. Não resolveríamos, portanto, o problema amplamente.

Os homens inteligentes então seguem procurando por muitas soluções cabeludas, até chegar à mais simples: substituir o material com que são feitos todos os copos, por algum material mais resistente aos impactos. Depois descobrem que é uma solução muito simples e deveriam ter pensado nela desde o início. Mesmo assim se dão por competentes e saem da divertida busca por soluções mais radicais com ideias novas para filmes sci-fi, até que — depois de já terem morrido — as ideias se tornam realidade no futuro promissor dos homens inteligentes — não exatamente com as mesmas aplicações que pensaram atribuir a elas, é claro —, pois seus sucessores não estavam mais ocupados em limpar suas salas de jantar por causa dos copos, então puderam desenvolver outras coisas.

O homem inteligente descobre que não há justificativa aceitável para que estejam fatalmente sujeitos ao fenômeno da quebra dos copos, afinal — alimentar as fábricas de copos não é uma justificativa aceitável, concorda? —. Depois constrói copos resistentes que não quebram quando caem no chão, e o problema foi definitivamente resolvido, assim copos e humanos viveram felizes para sempre.

Cara... já pensou nisso? Agora é a hora que deixaria você pensando e acabaria o texto aqui, mas não me aguento. Enfim... Não precisamos nos adaptar bravamente o tempo todo e ficar catando cacos de vidro again and again and again and again (...) como os outros bichos da natureza inadvertidamente o fazem, coitados — não me refiro a catar cacos, óbvio, e sim estarem sujeitos às circunstâncias evitáveis —. Somos muito estranhos e temos essa capacidade de resolver problemas de uma forma peculiar, inclusive os problemas mais sofridos, e muitos deles de uma vez por todas! Então, por que não? Só por um século, peloamordedeus! Se não der certo, bem... a gente volta tudo como é agora, prometo.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Amar e escrever




Não necessariamente nessa ordem. Aliás, ordem pra quê? De qualquer forma, deixemos essas confabulações para depois, certo? Agora que siga o texto em outro ponto, sendo que já estamos pondo a ordem em questão aqui, mesmo...

Bem... Quero ser escritor um dia. Um desses escritores praticantes, que se designam assim quando lhe perguntam “o que você faz?”. Um dia também quero poder responder “eu escrevo”. Uma criança de primeira série bem poderia dizer o mesmo, é verdade, mas não com o sentido que quero dar a essa resposta: “Eu escrevo”. Ou quem sabe sim? Talvez ser escritor seja, em certo sentido, o mesmo que voltar a ter 5 anos e estar na primeira série; afinal, quem mais se orgulha tanto de saber escrever além destas duas classes de pessoas; uma quando recém começou a aprender e a outra que está constantemente recém aprendendo?

Quero exercer meu suspeitoso talento criativo e meu duvidoso talento literário. Tenho estado cada vez mais inclinado a pôr a prova estas potencias qualificações. É aí que entra uma inquietante questão: estou pronto para começar?

Penso que me falta algo essencial. Experiência? Sim, sim. Às vezes me considero ainda muito cabeça de melão para escrever um livro. Acho que ainda não vivi o suficiente para conseguir criar algo interessante; sabe... Com sustância! Porém, como sou um cara confuso e preguiçoso por excelência, eventualmente me vem a indagação se isso não seria só uma desculpa comodista; ora, impossível não conseguir escrever algo interessante com a bagagem de experiências que disponho até o momento.

Acontece que desculpas, meu caro, tem sua função e fundamento. Nunca são SÓ desculpas. Falta sim algo que primo como elemento essencial, no meu caso. E, sem suspenses, esse algo é simplesmente amor. Mas não limite o amor que falo aqui ao romance. Expanda o significado ao máximo, pois o amor não emana só entre os casais, o amor que falo aqui é o amor que permeia a vida dos homens em seus mais gloriosos atos.

Pois bem... Não posso dizer que nunca experimentei, sabe... o tal do amor. O que posso dizer é que não estou satisfeito. Ás vezes a vida proporciona degustações aqui e ali, o cheirinho de um assado de amor acolá, desses que, antes que você desfrute, ele torra por descuido de alguém; mas nunca realmente um prato cheio, uma quentinha depois da labuta, muito menos um banquete de Platão — Platão podia se chamar Pratão, mas seria um trocadilho besta —; enfim, nunca nada de empanturrar os mais esfomeados. Degustações são muito limitadas, porque a experiência da degustação não representa a experiência plena do consumo. Como assim? — Você poderia perguntar — Ora, um vinho que você degusta no supermercado, que você prova sabendo que está de passagem, servido naqueles copinhos de plástico — já começa por aí! — por exemplo, não está na garrafa que você deixa na adega até o momento certo de abrir, escolhido com capricho; você provavelmente não vai dividi-lo com a pessoa que você gostaria naquele momento; você não estará cercado do ambiente ao qual você estaria desfrutando o tão aprazível cabernet; ou seja, você não degusta apenas o objeto, você degusta o momento, a companhia — nem que seja a sua somente — e toda a atmosfera que o envolve. Degustações são limitadas por isso: o sabor dos alimentos transcende o sentido palatal. E como o amor é um alimento para a alma, degustações não são suficientes — talvez sequer seja amor, at all —.

Eu quero experimentar todos os amores na minha sala de estar, ficar empanturrado de todos os tipos e sabores: amor pela família, amor pelos amigos, amor pelo meu amor, amor próprio, amor pela vida e, nesse caso em especial, amor pela literatura. Quero temperar todos com tudo o que tenho de melhor. Talvez assim, saciado, eu consiga produzir um delicioso livro que alimentará outras almas.

Agora é oportuno retomarmos a questão da ordem. Com relação a isso, após refletir bastante, estou mais inclinado a pensar que só serve para atrapalhar, mesmo. Pra quê esperar tanto, não é? Li uma frase na internet esses dias que dizia o seguinte: “If you wait for perfect conditions, you will never get anything done”. Parece que é um trecho da bíblia; enfim, é um pensamento interessante. Talvez condições perfeitas nem sequer existam, sendo assim, provavelmente, esperaria para sempre o amor em toda sua virtude, e nunca teria realmente escrito um livro. E, pasme ou não, acredito que essa condição idealizada de vida surtiria justamente o efeito contrário: acho que com a vida tão plena, aí mesmo que não escreveria nada! Bem que soa como contradição, não é? Bem... Prefiro entender o que digo aqui mais como a evolução de um raciocínio, o qual em algum momento surtado sofreu um plot twist.

O que se tira de tudo isso, então? Cheguei a algumas conclusões. Primeira: Paradoxalmente, talvez, as condições ideais para realizar algo — dentro de uma dimensão concebível, claro — surjam justamente após você já ter posto em prática o ato almejado, essa é uma estranha ironia do processo criativo — inclusive, percebi isso recentemente no relato de criação de autores já consagrados como Alan Moore e David Lloyd —; segunda: É desinteressante, no final das contas, ter todas as condições atendidas, pois a insatisfação é uma das mais fortes e belas forças motrizes de um bom autor; e ultima: É melhor não esperar condições perfeitas com a ilusão de que somente aí amará o resultado daquilo que fez, pois o mais importante é amar o próprio ato de fazê-lo.

Com tudo isso em mente, é... Acho que seria bom começar a escrever!

sábado, 28 de abril de 2012

Lucidez


Ruben Moreno - Four Dimensions of Mindfullness


Lucy nunca se soube no mundo dos homens. Deitava-se no chão e cobria as estrelas com os dedos. Nunca piscava, tinha medo de não querer mais abrir os olhos. Visitava sempre o mesmo céu noturno, apresentava-se a cada vez. Jovem nunca fora desde que nasceu, a não ser, talvez, pela tez virgem que a vestia, pela voz suave que só os poetas ouviam, por suas mãos viçosas, pelos olhos pueris de desarmar o tempo... E pelo próprio tempo que não tinha. Também não era velha, a não ser, talvez, pelo andar digno de quem desenha o mundo, pelo saber que só os poetas sabiam e por esses mesmos olhos que pintavam as cores dos astros. Ria-se dos pensamentos que lhe pipocavam a mente: queria ser flor de vinte dias, o cometa Halley, um pingo da chuva, um sorvete de chocolate com baunilha, um símbolo indígena, Ártemis, um gato de Louis Wain...

Não sabia em quais mentiras acreditar. Para Lucy, a rosa dos ventos não apontava direções, por isso seguia pelo caminho em que suas pernas andavam. Amanhecer era um milagre todos os dias. Tudo era um milagre. Passava pelas janelas das casas das pessoas e acenava para tudo o que lá havia. Tudo acenava de volta, exceto as pessoas. Sacudia os ombros quando ria, e ria muito disso. Caminhava de mãos dadas às incertezas do próximo passo. Sempre dizia que não existia fora, mas que a luz era uma cortina linda que nos protege da escuridão que mora lá. Tudo era um paradoxo. E o maior de todos os paradoxos, o que Lucy mais gostava, era o de nada ser, na verdade, um paradoxo.

Certa vez, andando pelas ruas, viu num beco um punhado de crianças rindo de um filhotinho de vira-lata todo tosado, exceto a cabeça que continuava bem peludinha como sempre fora, provavelmente. Ela então tirou toda sua roupa, exceto sua touca, e sentou-se do lado do cãozinho. Daí os adultos juntaram-se as crianças, mas não estavam mais rindo.

De lá pra cá, vinha e ia, mas voltava sempre para o mesmo ponto: o alto de uma alva colina, para ali se apresentar a noite, ouvir sua música e dançar... E dançava a noite inteira sobre os pés da existência. Quando cantava percebia que as palavras traçavam ritmos, ecoavam no infinito e modelavam o balé cósmico. Era impossível falar sem sentido, dizia. Sabia, quase sem perceber, que nada que existia tinha explicação fora de si mesmo. Lucy não tinha uma para ela. Até um ser que fosse onisciente descobriria, mais tarde, não ser tão onisciente assim, pois não possuiria o poder de defini-la.  Havia só um ser capaz disso: o homem do mundo dos homens.

Lucy nunca se soube no mundo dos homens. Caminhava seminua nas paisagens que pintava. Acordava sempre dentro de seu sono. Seguia seus passos de olhos fechados, pois uma vez piscara. Conduzia sua própria nave nas viagens entre bolhas de salão. Sim, com certeza ela fazia tudo isso e muito mais. Contudo, sem nunca sair do quarto de um manicômio.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Contato

René Magritte - Lovers (1928)


Seu comigo, tão consigo
Cria sentido
Nessa saudade
Que não para
De aumentar...

Não consigo, não contigo
Fitar dois palmos
Um par de asas
Ou os passos
Pra ficar...

Meu comigo, seu consigo
Constroem pontes
Entre horizontes
Que se perdem
Em nenhum lugar...

Meu contigo, seu comigo
Querem abrigo
Sair do castigo
Do soslaio
De seu olhar.

sábado, 22 de outubro de 2011


“O que escrevo é a mensagem que fecho numa garrafa e jogo ao mar. Meu espanto se deve ao fato de que muitas pessoas, em muitas praias – psicológicas e geográficas – tem achado as garrafas e descoberto que as mensagens lhes dizem respeito. Por isso, continuo a escrever.”
Carl Rogers

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Pedra de Calcutá



Hoje me acordei pensando em uma pedra numa rua de Calcutá. Numa determinada pedra numa rua de Calcutá. Solta. Sozinha. Quem repara nela? Só eu, que nunca fui lá. Só eu, deste lado do mundo, te mando agora esse pensamento... Minha pedra de Calcutá!


Mário Quintana

domingo, 7 de agosto de 2011

Os 20 melhores álbuns

Como o título sugere, decidi realizar a tarefa hercúlea de eleger os 20 álbuns mais fodásticos que conheço na música. Vocês não fazem idéia de como isso foi difícil! Tive que deixar MUITA coisa de fora, pois realmente me atrevi a selecionar apenas 20 obras-primas, nada mais, nada menos. É... Fui muito masoquista mesmo =]~~~

Que fique claro: são meus vinte ÁLBUNS preferidos, não confundam com artistas! E isso é complicado. Só para você ter uma idéia, por exemplo, eu considero Stratovarius, como banda, melhor que Pegazus (3º lugar!), mas Stratovarius NEM CONSTA NA LISTA!!! Porque apesar dessa banda ter muitas músicas épicas, como a Eagleheart (música que define meu perfil no blog!) é uma banda que tem sua qualidade mais diluída entre vários álbuns, capiche? Não é como Pegazus, que não é uma banda tão estupenda assim no conjunto das obras, mas tem um álbum fora de série que é o Breaking the Chains, álbum que do início ao fim é de cair o queixo de qualquer Headbanger TrOOzão. E foi assim com tantos e tantos outros artistas pelos quais tenho real admiração.

Essa lista é, também, muito influenciada pela questão afetiva, tipo: escolhi alguns álbuns que por muito tempo gostei mais e me acompanharam, sendo praticamente trilhas sonoras na minha vida. Atualmente tenho conhecido uma pá de coisas incríveis, coisas que talvez possam aparecer em possíveis futuras listas, mas não acho justo inserir esses álbuns agora porque são descobertas recentes e coisas que ainda não escutei tão bem, nem por muito tempo. É o caso de Rory Gallaguer, Concrete Blonde, Sue Foley, Blind Melon, Lou Reed, Frank Black, Dusty Springfield, LOUD!, Engenheiros do Hawaii. São, inclusive, coisas diferentes do que por muito tempo escutei, coisas que estão me atraindo mais ultimamente. Enfim... Esses só pra citar alguns.

Só mais uma coisinha: por motivos óbvios escolhi só álbuns de estúdio (com apenas uma exceção), então estão fora coletâneas, álbuns ao vivo, singles, compilações e afins.

Ok! São justificativas mais para mim mesmo, para não ficar me sentindo tão mal! Hahaha =]~~~

Deu de blábláblá! Let's Rock! ;D

1º LUGAR: The Metal Opera PT. 2 - Avantasia




 Comentário:
Esse álbum é épico! Um projeto de Tobias Sammet de muito sucesso que envolve nomes como: Michael Kiske, David DeFeis, Sharon den Adel, Rob Rock, Oliver Hartmann, Andre Matos, Kai Hansen (Deus do metal!), Timo Tolkki, Bob Catley, Henjo Ricther, Jens Ludwig, Norman Meiritz, Markus Grosskopf, Eric Singer, Alex Holzwarth, Frank Tischer. Com esses monstros o resultado é o que podemos ouvir em The Metal Opera PT. II, uma obra sem precedentes, muito bem desenvolvida e interpretada por todos. Com solos virtuosos do genial Henjo Ricther.

Destaques:

The Seven Angels, a melhor música que já ouvi, uma verdadeira obra-prima de 14 minutos onde participam a maioria dos já citados. Temos também a The Final Sacrifice, In Quest For e Neverland. Mas todas as músicas são high quality!

[click nas músicas para ouvi-las no YouTube]

Ponto-fraco:

A história da opera é meio bobinha, nunca li até o final, achava chato e desistia, mas isso faz muito tempo, talvez hoje eu fosse entender melhor.

2º Lugar: Hellfire Club -  Edguy

 

Comentário:

Olha o mestre Tobias Sammet (vocalista) aí de novo! Esse álbum é fabuloso, escutei muito ele e o considero a obra-prima do Edguy, apesar dessa banda ter outros tantos álbuns excelentes.


Destaques:

Forever, Edguy é dona de muitas das melhores baladas que conheço, e essa é a melhor deles! Depois temos The Piper Never Dies, Rise Of The Morning Glory e Mysteria!


Ponto-fraco:

Nenhum.



3º Lugar: Breaking the Chains - Pegazus

 

Comentário:

Power Metal australiano poderosíssimo! Do início ao fim um álbum com uma pegada forte, vocal perfeito, riffs de ferver o sangue, fico maluco até hoje quando escuto! haha

Destaques:
  

Metal Forever, The Crusade e Breaking the Chains. Hell Yeah!


Ponto-fraco:

Nenhum.


4º Lugar: Envelhecido 12 Anos - Bêbados Habilidosos
 

 

Comentário:

E bota habilidosos nisso! Eu falei na introdução que não ia acrescentar nenhum álbum que não fosse de estúdio aqui, mas havia uma exceção, certo? Esse maravilhoso blues sul-mato-grossense não poderia, de forma alguma, ficar de fora da lista, e como não conheço nenhum álbum de estúdio deles (se existe nunca achei) foi essa coletânea mesmo. Eu recomendo fortemente para aqueles que curtem blues, esses caras são muito bons, senão os melhores!

Destaques:

 Difícil escolha, mas fico com a BVC, a maravilhosa instrumental Último Gole (Pelo Amor de Deus), Vampiro e a Blues da Solidão.

Ponto-fraco:

Bem que eles podiam usar mais harmônica (gaita) nas músicas =/ (mas não é necessariamente um ponto-fraco.)


5º Lugar: Beyond the Sight - Wizards

 

Comentário:

É uma excelente e pouco conhecida banda brasileira. Nesse álbum não tem nenhuma música que não seja acima da média. Se você gosta do estilo, não pode deixar de ouvir esse sensacional metal melódico. 
 

Destaques:

Thunderbolt e The Play.
 

Ponto-fraco:
 

Nenhum.


6º Lugar: Sound of Life - Wizards

 

Comentário:

Esse álbum é tão bom quanto o Beyond the Sight, poderaim até estarem e posições invertidas que não ia fazer diferença pra mim.


Destaques:
 

A Promise of Love, Reach Out e Sound of Life.


Ponto-fraco:

Nenhum.

7º Lugar: The Metal Opera PT. 1 - Avantasia

 



Comentário:

Assim como o The Metal Opera PT. II, esse primeiro álbum é quase tão épico quanto, cheio de participações de grandes nomes do metal, melodias emocionantes, solos incríveis, PIANOS... *__*


Destaques:

Farewell,  onde a Sharon faz uma participação maravilhosa, linda voz; Reach Out For The Light, Avantasia e a The Tower.


Ponto-fraco:

Considere o que já foi dito do The Metal Opera PT. II.

8º Lugar: Powerplant - Gamma Ray

 

Comentário:


Esse clássico fodástico não poderia deixar de figurar aqui, álbum poderosíssimo, que possui vários hinos do verdadeiro power metal! Hail to Kai Hansen! The Power Metal god!  \m/_ 
 
Destaques:
Um dos hinos do metal, a música Heavy Metal Universe fala pelo orgulho de todos nós, headbangers! Temos também a Send Me a Sign, Anywhere in the Galaxy e a Razorblade Sigh. Fodas demais!

Ponto-fraco:

 Nenhum.

9º Lugar: Masterplan - Masterplan

 

Comentário:

 Banda formada por antigos integrantes do Helloween, que juntos com outros criaram o Masterplan. Conseguiram compor esse álbum incrível, o esquisito é que o segundo álbum deles (Aeronatics) ficou tão fraco que nem parece a mesma banda, pena...

Destaques:
 

Spirit Never Dies, Heroes e Sail On.


Ponto-fraco:
 

Nenhum.


10º Lugar: Into The Mirror Black - Sanctuary

 

Comentário:

Primeiro representante do Thrash Metal na lista. Sanctuary também não é muito conhecida, é a antiga banda do vocalista Warrel Dane, que hoje compõe o Nevermore (também na lista!). Essa banda teve só dois álbuns de estúdio, esse e o primeiro chamado Refuge Denied, que só não consta aqui, porque tem outros álbuns que prefiro um quase nada a mais, porém esses são dois álbuns imperdíveis. Podemos rotular Sanctuary como sendo Thrash, mas a sonoridade da banda demonstra muita personalidade, diferenciando-se das demais. E uma notícia! Recentemente Warrel Dane declarou que Sanctuary vai voltar! Vamos ver. *__*


Destaques:


As letras de Warrel são muito boas, críticas e inteligentes! As melhores músicas são Future Tense e Communion.


Ponto-fraco:
 

Não entendo nada de produção e edição de álbuns, essas coisas técnicas, mas aos meus ouvidos leigos a produção desse álbum não parece ser muito boa.


11º Lugar: Defying the Rules - Hibria

 

Comentário:
 
Outra incrível banda brasileira (e Gaúcha, tchê! =D) emplacando na minha singela lista! Hibria é fodástica, um power bem acelerado, de sacudir cabeças do início ao fim!


Destaques:
 

Steel Lord on Wheels, The Faceless in Charge, Millennium Quest.



Ponto-fraco:

Nenhum.



12º Lugar: Dead Heart In A Dead World - Nevermore
 

 

Comentário:
 
Nevermore, Avantasia e Gamma Ray foram as bandas que me abriram os olhos para o metal (começo fraco heim! Haha), então nutro muito carinho por elas. Posso dizer que o Dead Heart in a Dead World foi o primeiro álbum de metal que escutei (claro, tirando banda famosas como o Iron Maiden, Van Halen e o Black Sabbath). Daí por diante foram só descobertas nesse fantástico submundo da música pesada, fui achando bandas que nem sabia que existiam, e todo um estilo diferente e subestimado da música foi me gerando cada vez mais fascínio. Enfim, esse álbum é o melhor do Nevermore, uma banda que possui uma identidade muito forte, um som muito característico e único.


Destaques:
 

Em meio a todo pessimísmo característico das letras de Warrel, encontram-se críticas socias, reflexições filosóficas e uma bela poesia. As melhores músicas são: Believe In Nothing, Engines of Hate, Insignificant e a cover de Simon & Garfunkel, Sound of Silence, que combinou de forma perfeita com  Nevermore.

Ponto-fraco:


Não escute se estiver muito deprimida(a). Você pode cortar os pulsos. hahaha Jus' kiddin' =]~~~


13º Lugar: Riding with the King - Eric Clapton & B.B. King

 

Comentário:

 A união desses dois só podia dar no que deu, em um dos melhores álbuns do blues! Não precisa de muitos comentários.

Destaques:
 

Three O'Clock Blues, Riding With The King e Help The Poor.


Ponto-fraco:

 Nenhum.

14° Lugar - Rebirth - Angra
  
 

Comentário:
 
Angra é umas das melhores bandas que conheço, antes ou depois do André Matos. Banda que faz aproximadamente vinte anos que está na estrada e consegue fazer uma coisa muito difícil: inovar o som mantendo sempre a essência. Poucas bandas que conheço realizam isso como a Angra, que mudam algo de álbum para álbum, você nota que tem algo diferente ali, e ao mesmo tempo você consegue se sentir familiarizado com o estilo "Angra" de fazer Metal, haha! Muito foda!
Andei pensando bastante qual álbum deles merece mesmo estar aqui, julguei que é o Rebirth, pois acho que é o melhor na síntese das partes, apesar da música Carry On (the Best Angra’ song ever!) estar no Angels Cry hehe.
  
  Destaques:

Nova Era, novo hino do Angra pós André Matos; Rebirth e Heroes of Sand.

 Ponto-fraco:

Nenhum.
 

15º Lugar: Holy Diver - Dio

 

Comentário:
 
Faz apenas pouco mais de 1 ano que Dio morreu vítima de um câncer, uma grande perda para o metal. Esse álbum estar aqui não é só uma homenagem, mas uma grande justiça, pois é realmente um dos melhores álbuns do metal que conheço.



Destaques:

Rainbow in the Dark, Caught in the Middle, Don't Talk to Strangers.
 

Ponto-fraco:
 

Nunca entendi a moral do "Holy Diver" (Mergulhador Sagrado?!), anyways... É um grande álbum.




16º Lugar: Holy Hell - Rob Rock

 

Comentário:
 
Não entendo como Rob Rock é tão pouco conhecido e é tão bom. Talvez seja por preconceito ao White Metal (metal com letras cristãs) , não entendo... Mesmo assim, Rob Rock nem fala diretamente em cristo nem em passagens bíblicas, nem nada disso, só tem uma mensagem de benevolência, de esperança, essas coisas... O fato é que não sou cristão, mas me considero muito feliz de conhecer esse puta artista. Holy Hell é maravilhoso, tanto que é digno de estar aqui, na minha modesta lista, mas ao lado de outros artistas com talentos nada modestos.


Destaques:
 

Move On, linda, mas LINDA música com a participação de Tobias Sammet; temos também a Calling Angels e a I'll Be Waiting For You como destaques do álbum.

Ponto-fraco:
 

Nenhum.

17º Lugar: Breakfast in America - Supertramp

 

Comentário:
 
Temos um representante do rock progressivo. Esse é bem conhecido, suponho. Adoro as letras!


Destaques:
 

Difícil escolha com tanta qualidade. Fico com a Lord Is It Mine, Oh Darling e a The Logical Song.


Ponto-fraco:
 

Nenhum.


18º Lugar: Arise - Sepultura
 

 

Comentário:
 
Brasil de novo na lista! O Sepa dispensa apresentações, thrash inconfundível!


Destaques:
 

Da-lhe porrada na orelha do velhoooooo!


Arise e Dead Embryonic Cells.


Ponto-fraco:
 

Nenhum.

19º Lugar: Nuclear Fire - Primal Fear

 

Comentário:

Nation in fear, Primal Fear! Banda fodástica! Agudo impressionante do matador de ciganas! hahaha (piada interna)


Destaques:
  
Red Rain, Angel in Black e Nuclear Fire.
 

Ponto-fraco:

Nenhum.
 

20º Lugar: Gita - Raul Seixas

  

Comentário:
 
 E como não podia deixar de ser, o mestre Raulzito está aqui! Toca Raul!!
 
  Destaques:


Gita, Medo da Chuva e S.O.S.
 
 Ponto-fraco:


 Um Som Para Laio, chata pra caralho essa música.

domingo, 3 de abril de 2011

Sempre mosaico

Performance fotografada pelo artista Vik Muniz na campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids


Agora sei, sou fiapos
que você puxa, desfia e sopra
em mil pedaços vários,
mas não negue
que também lhe fiz retalhos,
que cato, reúno e espalho,
na fria abóbada da terra,
ora repartidos, ora fundidos,
sempre mosaico!
que reluz, revela e cega.

domingo, 13 de março de 2011

Psicologia de um vencido


Death Crowning Innocence - George Frederick Watts

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...

Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e á vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!


Augusto dos Anjos 

sábado, 12 de março de 2011

terça-feira, 8 de março de 2011

Mulher

Hoje, dia 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher, e é com muito prazer que registro, aqui, minha homenagem a vocês, mulheres, que são, para mim, o que há de mais perfeito e enigmático no mundo. Então fiquem com minha singela homenagem. Mulher é uma poesia que rascunhei primeiramente em novembro de 2007 e que hoje resgatei e trabalhei para publicar. Parabéns mulheres!



La Naissance de Vénus - William-Adolphe Bouguereau 

Cantei há eras
teu nome ansioso
sem saber que eras
tal fruto saboroso
de um sonho retirado.

Tu és enigma!

Um mistério fascinante,
a mais perfeita rima,

uma nota encantada
entre a valsa de um romance.

Pra ti mil bardos cantam,
és, sozinha, um panteão!
É com fidelidade
que te venero minha canção.

És mar bravio, profundo...
Felizes são os que vogam no teu mundo!
Se acaso, perdidos,
à Vênus não guiaram os seus sentidos.

 Quero sempre desbravar-te, com minha caravela,
e navegaria, para a eternidade,
De tal forma que és bela!

És poesia, és deusa, és profundeza, és canção...
Que dê outro nome quem souber,
Eu te chamo de mulher!
Se és perdição, salvação ...
Não há quem diga.

Tu és enigma!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O Misterioso Sentido


Em um dia normal qualquer, como hoje, Sr. Deus, orbitando a Terra, viu toda fuzarca que o homem aprontava no mundo, com todas suas teorias criativas e bizarras para explicar a vida. Era o caos, todos tinham a razão, e queriam provar pela lógica ou pelo fogo, não importava . Mas é claro, Deus já conhecia este velho fato, era outro dia qualquer, afinal...

Mas nesse dia qualquer Deus não agüentou mais, toda essa confusão fora divertida de observar, ele confessou, mas cansara. Decidiu que estava mais do que na hora dele dar um recado direto aos humanos, para variar. Ele encheu os pulmões divinos e gritou: “HUMANOS, PELO MEU AMOR! PAREM DE PROCURAR SENTIDO ONDE NÃO TEM! Porra!”. A terra parou, todos olharam para o céu, o som vinha de lá para todos. Mas foi só isso. No milésimo seguinte, passado o choque, os humanos começaram a tentar dar sentido àquelas palavras. Deus bateu com a palma da mão na testa.

Não se sabe o tempo que demorou, mas admirou-se tanto dessa obstinação humana, exclusiva em todo o universo, que pensou: “Não pode ser que essa gente, em todos os tempos, em todos os lugares, isolados ou não, persigam tanto uma coisa que não existe.” De repente ele teve uma dúvida, nunca tivera dúvida antes. “Será que existe?”

Então, homem e Deus se uniram pela primeira vez... Ele também começou a procurar sentido.

Queria ser teu gato





Queria ser teu gato...
Para te espreitar furtivo
na calada da noite invadir teu quarto
para, quando tu menos esperar,
pular na tua cama,
não te deixar dormir.

Queria ser teu gato...
Para ronronar ao pé do teu ouvido
lamber teu corpo ao luar
para, sem aviso, escalar teu colo
me esfregar entre tuas pernas,
te deixar meu cheiro antes de partir.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Tenho que perder essa mania de sobreviver a cada amor perdido, pois estou ficando cada vez mais forte.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sobre Werther, valores e a felicidade


“Tudo nos falta quando faltamos a nós próprios.” (Werther)

O livro O Sofrimento do Jovem Werther começou me chamando a atenção, primeiramente, pelo formato ao qual foi escrito. Goethe, ao escrever o livro em forma de cartas, conseguiu tornar os relatos do jovem Werther um apelo intimista. Nos sentimos o seu mais fiel amigo, partidários de suas alegrias e sofrimentos.

Cartas é algo interessante. Estamos em tempos onde a comunicação dá-se de forma tão rápida, espontânea e fácil através dos meios instantâneos de comunicação eletrônica. Sendo assim, foi-me motivo de reflexão o papel das cartas na comunicação. Não descarto a importância dos diálogos através dos meios atuais, mas parece que a hiperatividade da modernidade tornou a comunicação algo tão mais superficial.

Talvez as cartas sejam uma forma mais pessoal, profunda e contemplativa de interação entre pessoas.

Mas partamos para o conteúdo do livro... O que eu tenho para falar sobre este livro de Goethe é que o principal núcleo temático, sobre o qual o autor tende a querer fazer-nos refletir a respeito, é de uma pertinência enorme para pensarmos o nosso contexto atual de vida. Quero dizer que a dicotomia entre razão e emoção¹, sempre presente e marcante na sua obra, é, sobretudo, uma discussão sobre a felicidade.

O estilo de vida moderno criou valores frustrantes para a felicidade humana. Os nossos fins, ou seja, os objetivos que determinam nossos projetos de vida, no mundo ocidental e capitalista onde vivemos, tornaram a busca insaciável pelos bens materiais a meta comum dos indivíduos, e por consequência tendemos a pensar que as conquistas desses objetivos trarão, como se fosse um objeto que pode ser carreado, a felicidade.

A felicidade, no meu ponto de vista, não está nas convenções maliciosas que a sociedade ocidental nos instrui a ambicionar desde que nascemos. A razão, no entanto, é importante, tem um fim na sobrevivência humana, não somos tão adaptados instintivamente para sobrevivermos ao meio como os outros animais. Somos animais culturais e racionais, e disso depende nossa sobrevivência, pois através disso transformamos o meio para que nele possamos viver. Mas o problema é que o excesso de racionalidade distorce os valores que realmente contribuiriam para a felicidade humana.

No livro, Werther é um ser humano que não se encontra no mundo racional onde vive, para ele não faz sentido as mesquinharias pelas quais os homens passam a vida inteira lutando, e quando conseguem ainda resta o vazio existencial. Não concorda com a desatenção que a vida materialista gera para os aspectos emocionais e vitais dos indivíduos. Werther sofre, pois é um ser humano deveras sensível e que não consegue tratar com naturalidade o estilo de vida da sociedade onde está inserido. Percebe-se como um homem de valores distintos, mas os quais o deixam numa penosa solidão. Quando encontra uma pessoa, nem que seja minimamente parecida com ele, acha que encontrou tudo. E a paixão que lhe causou Lotte, mas que não pôde consumar, acabou por destruí-lo. E o que mais se esperava, se o significado que ele deu a sua vida não pode ser vivido?

Os nossos objetivos modernos de atingirmos status sociais, padrões de beleza, riquezas e bens de consumo só cria competição, frustração e o vazio entre os seres humanos, e apesar disso ser fruto da racionalidade, é uma atitude, em última análise, das mais irracionais possíveis. Um paradoxo.

A felicidade não é uma receita, não se reduz ao genérico, não é algo uno. Pessoas são felizes de diferentes formas, e correndo o risco de me contradizer, há aqueles que, talvez, atinjam realmente a felicidade através das conquistas acima citadas, mas o que eu quero dizer é que isso não deve ser propaganda de felicidade. Só você é capaz de dizer o que lhe causa o seu bem-estar subjetivo².

O bem-estar subjetivo, então, pode ou não conter o objetivo, mas eu posso afirmar que o objetivo não é o fator determinante. Acho que é, quando muito, um complemento.

É de consenso de muitos pesquisadores da psicologia positiva que os valores mais relacionados com a felicidade pertencem a fatores psicológicos como: “personalidade, otimismo, resiliência, gratidão, presença de altos escores de emoções positivas” (Ferraz et al, 2007).

Está ali na citação: “emoções positivas”. Será que Goethe e seu personagem Werther não estão certos? Será que não devemos dar mais valor aos aspectos emocionais? Será que privilegiarmos o “ser”, invés do “ter”, não seria mais prazeroso para nossas vidas?

Esses são alguns dos questionamentos que o livro me causou, e essas são algumas reflexões que fiz. No início não gostei muito do livro, não por outro motivo senão o de não fazer muito o meu estilo, não curto muito literatura ultra-romântica. Mas depois dessas análises passei a nutrir mais simpatia por ele. Ajudou-me a ter mais claras estas questões. É principalmente por isso que o estimo como um clássico importante, sinceramente acho que vale a pena lê-lo.

Notas:

1.    Aliás, essa dicotomia é algo com que Goethe trabalhou toda sua vida. Só a nível de curiosidade, ele foi, junto com seu amigo Schiller, um dos criadores do movimento Sturm und Drang, conhecido no Brasil como Tempestade e Ímpeto. Movimento que, basicamente, pregava na arte a emoção acima da razão.
2.    Usei um termo da psicologia positiva.

Referências:

GOETHE. O Sofrimento do Jovem Werther. 2. ed. São Paulo: Martin Claret, 2009. (Coleção a Obra-Prima de Cada Autor, v.51)

FERRAZ, Renata Barboza; TAVARES, Hermano; ZILBERMAN, Monica L.. Felicidade: uma revisão. Rev. psiquiatr. clín.,  São Paulo,  v. 34,  n. 5,   2007.   Available from .access on 12 Oct.2010.doi: 10.1590/S0101-60832007000500005.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Sobre tudo e sobre nada I

Bem... Primeiramente atribuo a mim mesmo a categoria de "Escritor de Prontuários". Ok! Traduzindo melhor, sou aquele que quando escreve, é porque algo não vai bem. É... Isso se é que sou algum escritor de todo. Segundo que tenho uma preguiça enorme de escrever, assim como para todas as demais coisas na vida que dão muito trabalho (Ah, Garfield! Como queria ser você!), isso indica que quando venho aqui é porque algo me motivou fortemente. Ou para compartilhar algo do que muito primo e acho bacana, ou para "chorar as mágoas" e afogá-las nas lágrimas (metafóricas, claro, porque não choro de verdade. Macho, não? XD). Alguns diriam para eu beber para afogá-las, mas não sou um cara que bebe pra isso, gosto de beber por estar feliz, a bebida potencializa o que você está sentido no momento; logo, é mais viável escrever, compartilho com Mario Quintana a opinião de que beber por desgosto é uma cretinice.

Escrever, então, torna-se para mim um recurso alternativo, quando há uma necessidade de expressão e  não acho alguma forma melhor de catarse.


Mas não sei se funciona no meu caso, acho que vou continuar angustiado e confuso, mas vamos lá.

Ham... Deixe-me ver... Ok! Então "começaremos" falando dos últimos dias. É tanta coisa para lembrar! Eu tenho tido dias realmente vibrantes! De descobertas incríveis no meu curso, de integração (esta não tem nada a ver com a da Noiva do Mar! XD), de diversidade na rotina, de compromissos, muitos compromissos. É um misto grande de diferentes experiências. Acho que nunca estive tão sociável antes, sentindo-me tão enturmado com as pessoas. Tenho muitos conhecidos, pessoas realmente interessantes, e me apego fácil à maioria, na verdade sempre tendi a gostar das pessoas e tentar me aproximar delas, mas em compensação, desapego-me com tal qual rapidez, se não sinto significativa reciprocidade. Essa troca justa acontece menos do que se gostaria. Acho que aqui encontramos um dos meus problemas, eu sempre penso que estou gostando mais das pessoas do que elas de mim. Não sei se é falta de auto-estima ou o quê, mas acho que é um pouco mais complicado que isso. Existem muitas variáveis.

Outro problema (até que esse é divertido): A vida está uma correria frenética! Claro, comparando com meus padrões de água morna e vento manso. Eu gosto mesmo é de apreciar a paisagem, andar a favor do vento, ver morrerem os sóis e nascerem as luas. Mas me sinto pego (não de surpresa) em um ciclone extratropical, um ciclone que eu mesmo chamei com inocentes assovios, como chamando um pequeno cão que vem pulando pro meu colo. É nessa confusão que a vida tem se tornado que me vejo o mais pueril e perdido filho do mundo. Confuso sim, mas corajoso! Corajoso porque escolhi todos os principais rumos que segui, mas ao mesmo tempo inocente, porque à medida que aprendo mais com a vida, vejo que não sabia o quanto estava enganado a respeito do quão contingentes eram os caminhos que estavam por vir.
Outro aspecto de minha vida sobre o qual reflito bastante, também, é a falta que sinto de ser mais categórico ao criar conceitos sobre as pessoas, lugares, disciplinas, filmes, livros, enfim, toda sorte de coisas. Tenho a impressão, a todo instante, de que se evitar relativizar algo, estarei cometendo uma injustiça vergonhosa. Agora mesmo no redigir deste texto, procurei por incoerências e averigüei se não havia sido muito radical em certos pontos, e até existem, mas preferi ignorá-los agora e seguir mais o fluxo de meus pensamentos. Talvez meu superego esteja se fortalecendo tanto, que já começo a apresentar um sintoma indesejável, o autocontrole exacerbado, uma cobrança indevida de mim mesmo (existe um PROCON do eu?).

Aff... São tantas responsabilidades... A faculdade, por exemplo, está uma loucura, adoro Psicologia, de verdade! Mas quando estou disposto! Ultimamente muitas coisas estão um saco. Não gosto de ter datas marcadas na agenda para cumprir tarefas, não estou acostumado. Odeio a metodologia de ensino que conhecemos. Ótimo seria um ensino onde a pessoa fosse a principal construtora do seu conhecimento.  Bem... Até é, mas o que eu quero dizer é que: do jeito que o ensino é da a impressão de que nosso cérebro é uma bagagem aberta onde temos que fazer caber tudo que é parafernália, mesmo a menos desejáveis. Mas eu sei. Infelizmente, por uma questão organizacional, temos que ter um sistema metódico de ensino, e temos que conhecer tudo, até o que menos nos parece fazer sentido, ou o que nos causa mais aversão. Chato, né?

Outra coisa! Trabalho! ODEIO o trabalho (pronto, falei!). Para mim qualquer trabalho é forçado, pelo simples fato de você ser forçado a ter um! É um mundo capitalista onde você é obrigado a "ser alguém na vida", ou viverá as margens do mundo, não terá direito a nada! Ou um vagabundo é um cidadão? Só se for daqueles sustentados por alguém, mas nesse caso é diferente, pois existirá um sujeito (que é alguém na vida!) que trabalha por ele e o sustenta. Não vejo sentido nenhum em a pessoa ser obrigada a usar oito horas (ou seja lá quantas!) da sua vida diariamente para cumprir uma função social e ajudar a manter um sistema POR DEMAIS INSUSTENTÁVEL, cruel, injusto e que destruirá o planeta. Esse mesmo SEU planeta que esse sistema te desapossou e te cobra (caro!) para você tê-lo de volta em pequenas medidas (você não paga até pelo espaço onde vive?). Não lhe parece um contra-senso o trabalho, agora? É o seu tempo de vida que você paga para... VIVER! Isso mesmo! O ser humano criou uma entidade cruel, dona do que se chama "propriedade privada". Não faz sentido.

(respira)

Ok! Ainda assim é possível ignorar tudo isso e ser feliz. Não é? All we need is love! Claro, é possível... Mas falta amor. E isso é o que me deixa mais triste. É o que falta nos seres humanos, entre eles mesmos e seu mundo. E é o que falta na minha vida para eu ser feliz, o resto eu suporto.

P.S: É, até que escrever funciona um pouco...