terça-feira, 8 de março de 2011

Mulher

Hoje, dia 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher, e é com muito prazer que registro, aqui, minha homenagem a vocês, mulheres, que são, para mim, o que há de mais perfeito e enigmático no mundo. Então fiquem com minha singela homenagem. Mulher é uma poesia que rascunhei primeiramente em novembro de 2007 e que hoje resgatei e trabalhei para publicar. Parabéns mulheres!



La Naissance de Vénus - William-Adolphe Bouguereau 

Cantei há eras
teu nome ansioso
sem saber que eras
tal fruto saboroso
de um sonho retirado.

Tu és enigma!

Um mistério fascinante,
a mais perfeita rima,

uma nota encantada
entre a valsa de um romance.

Pra ti mil bardos cantam,
és, sozinha, um panteão!
É com fidelidade
que te venero minha canção.

És mar bravio, profundo...
Felizes são os que vogam no teu mundo!
Se acaso, perdidos,
à Vênus não guiaram os seus sentidos.

 Quero sempre desbravar-te, com minha caravela,
e navegaria, para a eternidade,
De tal forma que és bela!

És poesia, és deusa, és profundeza, és canção...
Que dê outro nome quem souber,
Eu te chamo de mulher!
Se és perdição, salvação ...
Não há quem diga.

Tu és enigma!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O Misterioso Sentido


Em um dia normal qualquer, como hoje, Sr. Deus, orbitando a Terra, viu toda fuzarca que o homem aprontava no mundo, com todas suas teorias criativas e bizarras para explicar a vida. Era o caos, todos tinham a razão, e queriam provar pela lógica ou pelo fogo, não importava . Mas é claro, Deus já conhecia este velho fato, era outro dia qualquer, afinal...

Mas nesse dia qualquer Deus não agüentou mais, toda essa confusão fora divertida de observar, ele confessou, mas cansara. Decidiu que estava mais do que na hora dele dar um recado direto aos humanos, para variar. Ele encheu os pulmões divinos e gritou: “HUMANOS, PELO MEU AMOR! PAREM DE PROCURAR SENTIDO ONDE NÃO TEM! Porra!”. A terra parou, todos olharam para o céu, o som vinha de lá para todos. Mas foi só isso. No milésimo seguinte, passado o choque, os humanos começaram a tentar dar sentido àquelas palavras. Deus bateu com a palma da mão na testa.

Não se sabe o tempo que demorou, mas admirou-se tanto dessa obstinação humana, exclusiva em todo o universo, que pensou: “Não pode ser que essa gente, em todos os tempos, em todos os lugares, isolados ou não, persigam tanto uma coisa que não existe.” De repente ele teve uma dúvida, nunca tivera dúvida antes. “Será que existe?”

Então, homem e Deus se uniram pela primeira vez... Ele também começou a procurar sentido.

Queria ser teu gato





Queria ser teu gato...
Para te espreitar furtivo
na calada da noite invadir teu quarto
para, quando tu menos esperar,
pular na tua cama,
não te deixar dormir.

Queria ser teu gato...
Para ronronar ao pé do teu ouvido
lamber teu corpo ao luar
para, sem aviso, escalar teu colo
me esfregar entre tuas pernas,
te deixar meu cheiro antes de partir.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Tenho que perder essa mania de sobreviver a cada amor perdido, pois estou ficando cada vez mais forte.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sobre Werther, valores e a felicidade


“Tudo nos falta quando faltamos a nós próprios.” (Werther)

O livro O Sofrimento do Jovem Werther começou me chamando a atenção, primeiramente, pelo formato ao qual foi escrito. Goethe, ao escrever o livro em forma de cartas, conseguiu tornar os relatos do jovem Werther um apelo intimista. Nos sentimos o seu mais fiel amigo, partidários de suas alegrias e sofrimentos.

Cartas é algo interessante. Estamos em tempos onde a comunicação dá-se de forma tão rápida, espontânea e fácil através dos meios instantâneos de comunicação eletrônica. Sendo assim, foi-me motivo de reflexão o papel das cartas na comunicação. Não descarto a importância dos diálogos através dos meios atuais, mas parece que a hiperatividade da modernidade tornou a comunicação algo tão mais superficial.

Talvez as cartas sejam uma forma mais pessoal, profunda e contemplativa de interação entre pessoas.

Mas partamos para o conteúdo do livro... O que eu tenho para falar sobre este livro de Goethe é que o principal núcleo temático, sobre o qual o autor tende a querer fazer-nos refletir a respeito, é de uma pertinência enorme para pensarmos o nosso contexto atual de vida. Quero dizer que a dicotomia entre razão e emoção¹, sempre presente e marcante na sua obra, é, sobretudo, uma discussão sobre a felicidade.

O estilo de vida moderno criou valores frustrantes para a felicidade humana. Os nossos fins, ou seja, os objetivos que determinam nossos projetos de vida, no mundo ocidental e capitalista onde vivemos, tornaram a busca insaciável pelos bens materiais a meta comum dos indivíduos, e por consequência tendemos a pensar que as conquistas desses objetivos trarão, como se fosse um objeto que pode ser carreado, a felicidade.

A felicidade, no meu ponto de vista, não está nas convenções maliciosas que a sociedade ocidental nos instrui a ambicionar desde que nascemos. A razão, no entanto, é importante, tem um fim na sobrevivência humana, não somos tão adaptados instintivamente para sobrevivermos ao meio como os outros animais. Somos animais culturais e racionais, e disso depende nossa sobrevivência, pois através disso transformamos o meio para que nele possamos viver. Mas o problema é que o excesso de racionalidade distorce os valores que realmente contribuiriam para a felicidade humana.

No livro, Werther é um ser humano que não se encontra no mundo racional onde vive, para ele não faz sentido as mesquinharias pelas quais os homens passam a vida inteira lutando, e quando conseguem ainda resta o vazio existencial. Não concorda com a desatenção que a vida materialista gera para os aspectos emocionais e vitais dos indivíduos. Werther sofre, pois é um ser humano deveras sensível e que não consegue tratar com naturalidade o estilo de vida da sociedade onde está inserido. Percebe-se como um homem de valores distintos, mas os quais o deixam numa penosa solidão. Quando encontra uma pessoa, nem que seja minimamente parecida com ele, acha que encontrou tudo. E a paixão que lhe causou Lotte, mas que não pôde consumar, acabou por destruí-lo. E o que mais se esperava, se o significado que ele deu a sua vida não pode ser vivido?

Os nossos objetivos modernos de atingirmos status sociais, padrões de beleza, riquezas e bens de consumo só cria competição, frustração e o vazio entre os seres humanos, e apesar disso ser fruto da racionalidade, é uma atitude, em última análise, das mais irracionais possíveis. Um paradoxo.

A felicidade não é uma receita, não se reduz ao genérico, não é algo uno. Pessoas são felizes de diferentes formas, e correndo o risco de me contradizer, há aqueles que, talvez, atinjam realmente a felicidade através das conquistas acima citadas, mas o que eu quero dizer é que isso não deve ser propaganda de felicidade. Só você é capaz de dizer o que lhe causa o seu bem-estar subjetivo².

O bem-estar subjetivo, então, pode ou não conter o objetivo, mas eu posso afirmar que o objetivo não é o fator determinante. Acho que é, quando muito, um complemento.

É de consenso de muitos pesquisadores da psicologia positiva que os valores mais relacionados com a felicidade pertencem a fatores psicológicos como: “personalidade, otimismo, resiliência, gratidão, presença de altos escores de emoções positivas” (Ferraz et al, 2007).

Está ali na citação: “emoções positivas”. Será que Goethe e seu personagem Werther não estão certos? Será que não devemos dar mais valor aos aspectos emocionais? Será que privilegiarmos o “ser”, invés do “ter”, não seria mais prazeroso para nossas vidas?

Esses são alguns dos questionamentos que o livro me causou, e essas são algumas reflexões que fiz. No início não gostei muito do livro, não por outro motivo senão o de não fazer muito o meu estilo, não curto muito literatura ultra-romântica. Mas depois dessas análises passei a nutrir mais simpatia por ele. Ajudou-me a ter mais claras estas questões. É principalmente por isso que o estimo como um clássico importante, sinceramente acho que vale a pena lê-lo.

Notas:

1.    Aliás, essa dicotomia é algo com que Goethe trabalhou toda sua vida. Só a nível de curiosidade, ele foi, junto com seu amigo Schiller, um dos criadores do movimento Sturm und Drang, conhecido no Brasil como Tempestade e Ímpeto. Movimento que, basicamente, pregava na arte a emoção acima da razão.
2.    Usei um termo da psicologia positiva.

Referências:

GOETHE. O Sofrimento do Jovem Werther. 2. ed. São Paulo: Martin Claret, 2009. (Coleção a Obra-Prima de Cada Autor, v.51)

FERRAZ, Renata Barboza; TAVARES, Hermano; ZILBERMAN, Monica L.. Felicidade: uma revisão. Rev. psiquiatr. clín.,  São Paulo,  v. 34,  n. 5,   2007.   Available from .access on 12 Oct.2010.doi: 10.1590/S0101-60832007000500005.